Mudamos o objetivo deste espaço. Eu, Ana Paula, e Stela, minha irmã, o transformamos num diário de bordo para uma vida mais equilibrada. A chef Stela vai dar dicas de cardápios e eu vou organizar isso em palavras e imagens para promover saúde! Como diria vó Clélia, isso será FORMIDÁVEL: tremendo; pavoroso; medonhamente grande; que produz terror ou admiração (Priberam). Esperem ver por aqui coisas tremendas, pavorosas, sensacionais, enormes, terríveis, admiráveis... enfim, formidáveis!!!!!!
Mostrando postagens com marcador lixo eletrônico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lixo eletrônico. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 22 de março de 2012
Para onde vai o seu computador?
Os brasileiros compraram, em 2010, aproximadamente 30 milhões de celulares. E você, que é brasileiro, sabe bem o que é feito com o modelo anterior, agora obsoleto: a primeira opção é dar para alguém que não liga para as modernidades da tecnologia e fica com ele; a segunda é a lixeira.
Como se sabe, o lixo não evapora no ar – na verdade, ele costuma ocupar muito espaço nos aterros e na cabeça de ambientalistas e políticos comprometidos. E a preocupação tem fundamento, principalmente no Brasil. Os países desenvolvidos ainda são os maiores produtores de lixo eletrônico, mas, segundo relatório divulgado pela ONU no início do ano passado, dos emergentes, o Brasil é o que produz o maior volume deste tipo de lixo a cada ano – meio quilo por pessoa. Sendo um país de 200 milhões de pessoas, são 100 mil toneladas.
Essa montanha de eletroeletrônicos fora de uso é reflexo do crescimento econômico dos últimos anos. Com o avanço do poder de consumo da classe C, as famílias puderam trocar antigos aparelhos por novos, e a tendência é que se faça isso com cada vez mais frequência.
Com tanta produção de lixo e preocupação com o meio ambiente foi sancionado, em agosto do ano passado, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. A medida obriga fornecedores e fabricantes a criarem políticas ambientais para os aparelhos eletrônicos que são jogados fora. Ao invés de, como antes, simplesmente colocar aquela velha televisão de tubo no lixo, agora o consumidor deve encaminhá-la ao comerciante ou distribuidor e estes devolvem ao fabricante. É o princípio da logística reversa: os produtos devem seguir um ciclo que começa com o fabricante e termina com ele.
A natureza agradecece
O principal problema do descarte inadequado dos eletrônicos é a sua composição perigosa. Quase todos eles são feitos de plástico, material que pode demorar séculos para se decompor. Grande parte possui toxinas ou metais pesados, e isso gera uma série de problemas quando depositados em lixões ou incinerados. No caso dos lixões esses componentes contaminam o solo ou um possível lençol freático. Quando incinerados, liberam poluentes nas cinzas que produzem e estas acabam na atmosfera. A liberação de mercúrio, por exemplo, pode afetar cadeias alimentares, principalmente de peixes, e, consequentemente, contaminar humanos.
O que estamos fazendo
Na UFSC, o responsável pelo gerenciamento dos resíduos produzidos no Hospital Universitário é Luiz Carlos Pereira. Ele explica que todo o material que entra e sai da UFSC é catalogado, possibilitando um melhor controle sobre o destino dos resíduos. O que está estragado, mas que ainda pode ser aproveitado ou reciclado é distribuído para ONGs cadastradas. No momento são apenas três, mas nos próximos meses este número irá se ampliar para 18. São elas que irão fazer a separação dos resíduos para revendê-los para empresas que, por sua vez, fazem o processamento desse material previamente separado.
Um dos destinos deste lixo eletrônico produzido na UFSC é o Comitê para Democratização da Informática (CDI-SC). O que o CDI recebe passa por uma avaliação de usabilidade, para verificar o que funciona e ainda pode ser reaproveitado. O que vale a pena salvar é usado para montar novos computadores, que são encaminhados para instituições de caridade e telecentros - lan-houses gratuitas localizados em bairros carentes - ligados ao CDI.
Luiz Carlos exemplifica o quanto as coisas podem ser reaproveitadas: “Em um curso de manutenção de computadores que fizemos conseguimos transformar doze PCs velhos em quatro novos”. O que muitas vezes acontece é um componente estragar e todo o conjunto é jogado fora; se não isso, a tecnologia simplesmente fica ultrapassada. De uma forma ou de outra, na maioria dos lugares, o resíduo tecnológico vai para lixões e aterros sanitários, antes que se possa salvar qualquer coisa.
Ambientalmente correto e Lucrativo
O CDI-SC trabalha em conjunto com a Compuciclado, que se dedica à reciclagem de eletroeletrônicos. Um indicativo de que esse mercado se encontra em larga expansão são os números da companhia: de acordo com a coordenadora administrativa da empresa, Denise Rae, em março passaram 40 toneladas de lixo eletrônico por lá, sendo seis toneladas de ferro, revendido a empresas que possuem a tecnologia para reaproveitá-lo. Apenas na cidade são, pelo menos, mais três concorrentes. Se somadas todas as quantidades de lixo que passam pelos recicladores da capital, sabe-se que eles não dão conta de atender a demanda da região.
Porém, toda a motivação por trás pela reciclagem de eletrônicos não é puramente ambiental. O interesse das empresas é em algum componente valioso presente nos aparelhos. Telefones celulares contém, em média, 19% de cobre e 8% de ferro. Na Compuciclado, por exemplo, são separados ferro, plástico, alumínio, cobre, vidro e placas de computador - estas últimas são as mais interessantes. De acordo com a Associação de Coletores de Materiais Recicláveis (ACMR, ligada à COMCAP), elas são vendidas a seis reais o quilo – seis mil reais a tonelada. Não à-toa: elas contêm em sua composição, em média, 21 metais, dentre eles pequenas quantidades de ouro, platina ou índio, por exemplo – este último custando, hoje, aproximadamente 700 dólares o quilo.
As placas, no entanto, não são decompostas no Brasil. A tecnologia para separação dos metais ainda não existe no país, por isso elas são vendidas para outras empresas que fazem o serviço, localizadas nos Estados Unidos e Europa, principalmente.
Como descartar?
Para um destino adequado do lixo eletrônico, são duas alternativas: depositá-los em um dos postos de coleta ou contatar uma das empresas que fazem o serviço na cidade.
Texto e fotos por Giovanni Bello
giovanni.neto@gmail.com
Marcadores:
computador,
lixo eletrônico,
Meio Ambiente
Assinar:
Postagens (Atom)
